sexta-feira, 10 de junho de 2016

das prezadas estatísticas

estou ferida até a alma.
seja lá qual for a sua composição.
ela é vazia, mas tem medo.
ela é silenciosa, mas ecoa gritos.
ela não valida a minha passagem sem notarem: eu não sou branca. prefiro: não-branca.

me sinto desrespeitada e submetida ao momento mais sórdido do jeito deles de nos fazerem acreditar na indecência ingenuidade de suas línguas.
in
di

duo.
nunca quisermos ser isso.

para além da mãe,
não forçamos a vinda,
não cantamos vitória,
não discordamos da preguiça,
amamos sem contar lucros.

continuo ferida até a alma.

vivida
a vida
cíclica
não quer mais ser dirigida,
quer ser destoante,
não pelo desgosto,
pelo gozo,
pelos corpos orgânicos da política.

para além da vida normal,
faltou o desconto para erguer um sono constante,
porém, foram muitas antes de mim.
não dá para não esquecer.

dó é de quem tem horror à linguagem das minhas ancestrais,
elas foram a principal composição dos choros pelos nossos meninos,
ainda divididos em grades
e um retângulo cavado com mãos de dentro da dor.

nós somos irmanadas e irmanados pela distinção em pele
pela
pele de cor de natureza de vida afetiva de celebração,
não precisávamos da modernidade,
acordamos de um choro acorrentado
sou agrado e muro, pixo é dizer o seu nome toda vez para não sair.





2 comentários:

  1. Caramba Day,você sempre me comove através da sua escrita.
    Suas palavras entram bem na alma e pesa... E me faz refletir sobre o quanto é foda ser Mulher Preta nesse páis tão excludente.
    "Pixo é dizer o seu nome toda vez pra não sair" Fiquei repetindo essa frase como se fosse um mantra.
    Muito obrigada por me levar a essa reflexão nessa manhã fria de outono.
    Saudações Africanas, Rainha

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  2. Porque nao publicar um livro de poesias da Day Rodrigues? Logo menos, conheco alguns caminhos, editoras perifericas

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